
Lisboa, 12 Set (Lusa).
A Associação dos Autarcas Portugueses de França - CIVICA considerou hoje que o projecto do PS de acabar com o voto por correspondência dos emigrantes será "uma calamidade" que vai aumentar a abstenção.
"O voto presencial (defendido pelo PS) será uma calamidade. É uma medida que vai afastar totalmente a primeira geração do voto", disse hoje à Agência Lusa Paulo Marques, presidente da CIVICA.
Falando em específico do caso de França, o responsável afirmou que o voto presencial vai fazer com que "não haja participação" dos emigrantes nas eleições legislativas porque muitos residem a 200 ou 300 quilómetros do consulado mais próximo.
"Parece que a vontade do Governo é afastar a comunidade portuguesa de Portugal e pôr um termo à ligação da juventude com o seu país de origem", acrescentou.
Paulo Marques defendeu que o voto dos emigrantes deveria continuar a ser feito por correspondência e não descartou a hipótese de começar a ser feito pela Internet.
"Há 30 anos que o acto eleitoral por correspondência funciona, por isso, devia continuar. Ao mesmo tempo, devia fazer-se uma reflexão sobre outros meios de voto, nomeadamente o voto electrónico, que já foi testado", afirmou.
Apresentado em Julho, o projecto do PS de alteração da Lei Eleitoral deverá ser discutido na próxima semana e foi quinta-feira criticado pela líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, que prometeu apelar "a todas as instâncias" para impedir aquela alteração legislativa.
Também o presidente cessante do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) voltou a criticar o projecto de acabar com o voto por correspondência, considerando que esta alteração vai contribuir para a abstenção.
Em França residem cerca de um milhão de portugueses e luso-descendentes.
MCL. Lusa/fim